quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Comitê de auto censura.

As coisas são interessantes, os ciclos de treinos, trabalho, amigos, família tudo corre em uma normalidade e com boa previsibilidade. Uma coisa que não muda nunca, apenas consigo conviver melhor ou pior é meu comitê de censura.

Para o leitor tentar entender como funciona uma cabeça com muita censura, a coisa é assim:

Quando comecei o projeto do TPUC, tinha e ainda tenho um objetivo muito claro - apoiar a luta contra o câncer, especialmente a Leucemia e ajudar a divulgar as ações e arrecadar doações para a Abrale. Até aí tudo bem, o modelo todos já conhecem, eu faço uma doação em reais equivalente aos quilômetros que irei percorrer em uma prova e incentivo meus amigos - atletas ou não - a fazer o mesmo.

Tivemos ótimos resultados desde 2009 e este Blog ajuda a divulgar essas ações. Divido meus treinos, angústias com relação acidentes, lesões ou mesmo períodos de treinos mais fortes, relato algumas provas e sempre que possível tento conectar esses assuntos com a luta contra o câncer.

A partir de um certo momento o comitê começou a atuar. Comecei a ter receio das pessoas pensarem que este Blog estava sendo feito para me promover e tirar algum proveito pessoal da coisa - o que não pode estar mais longe da verdade.

Parei. Criei um novo Blog e nele comecei a falar só de treinos e aí aconteceu o esperado, minha motivação caiu a zero. O real motivo de escrever aqui é esse mesmo, é a causa que abracei. Quando minha censura mandou mudar de rumo, errei. Aceitei como verdade o que não era e percebi, após um ano, que abandonei o sentido principal da coisa e apenas perdi tempo.

Ontem tive uma reunião ótima na Abrale. Como já disse antes, gosto muito de ir lá. Deve haver algo que transforma as pessoas quando elas trabalham ajudando outros, é uma clareza e tranquilidade que contrastam com qualquer imagem de terror que se possa fazer de alguém que recebe, ou recebeu o que até pouco tempo atrás seria uma sentença de morte. E que hoje, graças ao trabalho da Abrale e tantas outras entidades e profissionais da saúde não é mais assim para muitos casos.

Eles me incentivaram a voltar a escrever e aumentar a divulgação do projeto. Então vamos lá. Chega de auto censura, vamos atuar em algo realmente nobre e ampliar o projeto. Conto com a participação daqueles que já me conhecem e peço que divulguem e sigam a página do TPUC no facebook também.

A agenda de provas é intensa esse ano e os objetivos também.

Fui... treinando

terça-feira, 17 de agosto de 2010

TPUC 2010 - 4 etapa - Troféu Brasil de Triatlon e Ironman 70.3 Brasil

Olá a todos,

O calendário desse ano que parecia que iria ser super corrido está sendo calmo até agora. Até agora, pois o segundo semestre promete. Teremos esse fim de semana aqui em São Paulo a terceira etapa do Troféu Brasil de Triathlon.

Muitos podem ter esquecido do projeto ou outros nem conhecem. Vou explicar então rapidamente. Em todas as competições que participo, colaboro com uma doação financeira para uma entidade de combate a Leucemia e linfoma chamada Abrale - Associação brasileira de leucemia e linfoma. O valor da doação é correspondente a distância em quilômetros que irei percorrer. Então de acordo com a prova que estou participando o valor é maior ou menor.

Incentivo meus amigos, parceiros de treinos e seguidores do Blog a tentar participar junto comigo nessa jornada. Como? É fácil. É só entrar no site da Abrale e fazer a doação diretamente para eles. Nada passa por minhas mãos e se houver necessidade, fiquem a vontade para entrar em contato direto com a instituição, é um local muito bacana, como tive oportunidade de descrever em um post anterior onde conto o porque deste projeto, é só clicar aqui .

Na próxima semana, dia 28 e agosto irei participar do  Ironman Brasil 70.3 em Penha - SC . Então estou juntando duas etapas em uma só e pedindo a participação especial de todos.

Hoje uma amiga me perguntou se eu acredito em enviar energia para as pessoas. Claro que sim. Que tal esse post sobre a energia que vai e volta? Sugiro enviarmos uma grande vibração para todos que estão sendo afetados por essa doença nesse momento, com nossos pensamentos, esforços e toda a energia que dispomos .

Os valores que irei doar são :
Troféu Brasil - distância Olímpica - 1,5 natação; 40km bike; 10km corrida,  R$ 51,50
Ironman 70.3 - 1,9 natação; 90km bike; 21km corrida, R$ 112,90

Lembro que cada um pode doar o valor que quiser, podendo ser superior ou inferior, fica a critério pessoal. Importante é doar e não esquecer de colocar no CAMPO EMPRESA O TEXTO : TRATHLON POR UMA CAUSA.

Boa semana a todos

Fui... começando a reduzir o ritmo para chegar bem em Penha


sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Longo Inverno


Olá, estou de volta. Depois de um longo inverno em Curitiba (4 dias) consegui colocar a casa e treinos em ordem.

Treinar no frio requer alguma disposição e roupas adequadas. Vou usar aqui a frase que todos nós ouvimos sempre nos treinos da madrugada na USP: não existe ciclista com frio, existe ciclista mau vestido. E não estou falando de ciclistas que não seguem a moda, pois todo ciclista faz questão de colocar todas as cores disponíveis do seu guarda roupa ao mesmo tempo. Não sei se isso acontece porque ainda estamos dormindo quando nos vestindo, e o tico e teco ainda não conseguiram pegar no tranco. Ou se não damos bola pra isso mesmo. Como sempre tento facilitar minha vida, reduzo minhas cores para: preto, branco, vermelho e amarelo. Então vou de monocromático a espanhol passando por rubro negro, mas nada mais que isso, é uma solução.

Mas o que quero falar mesmo é sobre como vestir-se pra não passar frio - e calor - no dia frio.

Ciclismo: camadas, não tem solução. Eu gosto de colocar uma camiseta de manga curta e duas camadas de corta vento, um mais grosso e outro mais leve. Se acho que não vai fazer tanto frio assim e talvez esquentar durante o treino, prefiro colocar só um corta vento e manguitos junto com a camiseta. Em qualquer caso uma boa calça é necessária. Prefiro as de corrida, de preferência com compressão. Coloco uma bermuda de ciclismo por baixo para evitar que as costuras machuquem e estou pronto para 100km em qualquer lugar. Uma coisa boa das roupas de ciclismo em camadas é que você pode ir tirando durante o treino e guardar nos bolsos da camada de baixo. Até a calça, já que você está com a bermuda por baixo. Um gorro na cabeça para aqueles que não tem mais cabelos, ou somente uma faixa para os que ainda tem vai muito bem. Proteger as orelhas é básico. Alguns usam lenços. Tudo bem, mas mantenha a regra de poucas cores por favor. Em cima da sapatilha pode ser usado uma bota que protege do frio. É um dos ítens mais úteis e baratos. A diferença de correr depois de pedalar sem usar a proteção da sapatilha é brutal. Você leva alguns km para sentir novamente os dedos se não usar. Mais importante de tudo no ciclismo, toda roupa tem que ser justa. Por favor, não vai pedalar com aquelas jaquetas de passear em shopping center que viram um paraquedas e tem gorrinho, tenha dó.

Corrida: aqui a coisa é mais delicada, mas também mais simples. Ao contrário do ciclismo, na corrida você vai passar calor. Se estiver muito frio (por volta de 6 graus como treinei em Curitiba semana passada) use uma calça, a mesma que usou pra pedalar, afinal ela é feita pra corrida. Em cima uma camiseta de manga longa de corrida e talvez uma jaqueta ou blusa de corrida. Acontece que você vai esquentar e provavelmente vai precisar tirar alguma coisa. Uma opção é fazer o aquecimento (correr uns 15 a 20 min leve) perto do carro e depois sair pra correr. Gorro ou boné (prefiro o boné) e um par de luvas de corrida funcionam muito bem. É incrível, você pode até se sentir meio ridículo, mas para a corrida no frio as luvas são ótimas, assim como algo para cobrir as orelhas.

Em qualquer dos casos você vai sentir um pouco de frio no começo, é normal, assim saberá que não irá passar calor depois.

Bons treinos

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Badwater 2010 - parte 2

Segunda parte do relato da Maria Ritah sobre a Badwater Marathon.

"Em Las Vegas, o calor sufocante começou a me dar medo. Dois dias depois fomos para o deserto local da prova. No caminho comecei a vislumbrar o que poderia ser minha aventura naquele deserto, comecei a me questionar.  – Será que quero mesmo passar por isto? Tanta prova linda, boa e mais barata pra eu fazer.

No dia do Congresso Técnico meu questionamento aumentou.  Observava atentamente os ultramaratonistas como se eu estivesse num experimento científico. Em Funece Crew, o calor aumentava, o vento quente ardia meus olhos garganta e feria meu nariz. Até pra respirar era complicado numa temperatura de 55 graus. Nem a noite aliviava a sensação de falta de ar.

A caminho do local da largada. A paisagem  do lugar era meio sinistra de tão cinza, sem cor, mas nem por isso encantadora. Estávamos abaixo do nível do mar. Ouvi um colega dizer que aquilo tudo era o mar que secou, na área batida e misturada com sal víamos a sequidão do lugar.

Depois de fotos e registros, a emoção da corrida começou. Nos primeiros 30km  o atleta obrigatoriamente deve correr sozinho e sua equipe dar assistência em banho e água, sob pena de punição caso seja pego correndo com o atleta.

Este começo foi um dos momentos mais emocionantes, porque pude assistir de camarote a correria, a paisagem, a corrida sob forte condição climática. Estes quilômetros parecem que não acabam nunca e nesta parte da corrida começo a digerir o que seja Badwater.

Monica corria bem a despeito de ser uma ultramaratonista com histórico de câncer e diabete. Minha preocupação era com sua hidratação e controle da glicemia que estava a cargo de um outro integrante da equipe. A noite, o cansaço e o sono eram uma luta constante. Mesmo eu que era pacer, sempre me beliscava para não apagar enquanto estava na direção do carro. Correr e andar por 55hs seguidas não era tão fácil quanto parecia. Além da dor muscular devido as subidas que não eram íngremes, mas que eram muito longas. 
Por volta do meio dia, sob sol forte, chegamos num lugarejo para abastecer o carro de gelo e água. Qualquer lugar do deserto que tenha um ponto de conveniência é importante. Era necessário abastecer com água e gelo nos poucos  pontos de abastecimento no deserto, por esta razão o carro estava cheio de cooler e alimento.

Na corrida, ora  eu estava a dirigir o carro de apoio, ora estava correndo observando a paisagem que em nada mudava da sua cor cinza, mas quando eu via o rosto dos atletas correndo, a dor e o sufoco para suportar o calor, mais e mais admirava aquela raça de atletas da qual eu queria fazer parte.

Minha experiência na Badwater me diz que devo treinar mais e mais forte. Que devo ter dinheiro suficiente pra fazer esta prova e pra isso terei que trabalhar dobrado, vender tudo que puder de imóveis e fzer uma reserva antecipada,  um plano logístico perfeito para me atrever a fazer Badwater.

A experiência valeu. Ao ver Mônica chegar aos 55hs no MT. Whitney, chorei de alegria. Literalmente saímos do inferno e entramos no paraíso em volta de montanhas cujos picos são brancos como a neve. É um contraste que só podemos dizer que ali um arquiteto muito habilidoso desenhou a estrada do deserto e seu local de chegada que , para quem correu tudo isto, é um verdadeiro paraíso.

Ou seja, saí do deserto, mais motivada do entrei. Em 2011, com a benção de Deus, estarei lá para correr Badwater Ultramarathon. Quanto tempo? Pra mim é o que menos importa, quero mesmo completar o percurso, vencer a distância e contar mais uma história de corrida.  "

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Badwater 2010 - 1 parte

 O bacana da internet é ter a oportunidade de conhecer pessoas que tem afinidades e paixões parecidas com você. As vezes penso que nunca teria oportunidade de conhecer essas pessoas especiais não fosse pelos blogs e redes sociais. Através do Facebook conheci a Maria Ritah, de Manaus, e fui acompanhando seus posts. Recentemente ela colocou algumas fotos sobre a Ultramaratona de Badwater. Mandei uma mensagem para ela e pedi se poderia contar essa história aqui no blog. Ela prontamente atendeu e ainda mandou umas fotos muito bacanas. Abaixo a primeira parte da aventura. De repente fazer um ironman não me parece mais tão difícil.... será?

"Badwater 2010 - por Maria Ritah


Comecei a correr ultramaratona em 2008. Minha grande estréia na distância foi na África do Sul, a Comrades Marathon, prova de 89km. A experiência de correr longa distância fez de mim uma apaixonada pelo esporte mesmo não tendo qualquer talento e começando na modalidade aos 36 anos. De repente me vi praticante e, acredite, atleta.
A primeira vez que ouvi falar de Badwater, foi por meio do meu amigo Gentil Alves que também pensava em correr a prova, e me dizia que para isso teria que correr a BR 135, prova classificatória para seleção da Badwater Ultramarathon.
 Badwater é a prova “mãe” do circuito BAD 135. Ela existe há 33 anos e deu origem a Arrowhead (prova no gelo) em Minessota/USA, Brazil 135 (prova nas montanhas) aqui no Brasil e agora também a Europe 135 na Alemanha e futuramente a Bolivia entrará no circuito. São 135 milhas (217 Km) que o atleta acompanhado de um carro e no mínimo 2 pessoas, e terá que percorrer a distância em até 60 horas ininterruptas numa estrada de asfalto que atravessa o tão temido Deserto de Mojave, na California. A largada acontece em Badwater a 85m abaixo do nível do mar, e a chegada no MT. Whitney a 2.530m de elevação.  O maior o desafio não é correr as 135 milhas, nem tampouco a altimetria da prova assusta, mas sim vencer o calor que mesmo a noite continua muito quente variando entre 50 e 60º positivos.

Comecei então a buscar mais informação sobre a prova considerada a mais difícil do mundo por conta do clima quente, seco e deserto. As histórias do calor não chegavam a me assustar uma vez que moro em um lugar quente, mas que não é seco. O que me fascinava nos relatos é o poder de superação do atleta ao ter que atravessar o deserto suportando um calor de 55 graus e sem qualquer apoio logístico da organização.
Mais obstinada, me inscrevi na BR 135 em 2009 para correr os 217km e conseguir classificação. Sem ter treinado mais de 100km corri pela primeira a BR e me dei mal. Uma lesão na panturilha no meio do percurso e desisti no km 162. Triste por isso, decidi esquecer ultramaratona em 2009 e passei a treinar para correr somente a New Yok City Marathon, em novembro do mesmo ano. Não queria mais saber de longa distância.
Setembro chegou, comecei a pensar de novo em Badwater e resolvi tentar de novo correr a BR 135 de 2010. Meu pobre currículo de ultramaratona daquele ano foi recusado pela organização da prova, só me restou dividir o percurso de 217km. Em dupla, fiz a distancia em 37hs, mas sempre pensando na Bad.
Este ano, a ultramaratonista  Monica Otero, 54, saiu na lista na relação dos aceitos pela organização.  Monica foi a primeira mulher da América do Sul a completar a distância de 135 milhas em 2007 e este ano a idéia dela era tentar diminuir o tempo de provaDiabética tipo 2, é sobrevivente de um câncer. Mesmo com saúde sob cuidados médicos ela prova que a força de vontade e determinação pode mudar o curso da história de qualquer um.

 Escrevi um email pra ela pedindo que me deixasse ser sua pacer. Eu pagaria minhas despesas de viagem até Las Vegas e ela arcaria com a hospedagem e alimentação. Monica foi muito gentil em aceitar minha proposta, e no dia seguinte comprei minhas passagens Manaus-Las Vegas-Manaus. Com muito gosto, passei também a treinar pra prova porque queria estar apta para ajudá-la e incentivá-la na corrida."

segunda-feira, 26 de julho de 2010

As próximas semanas serão críticas

Treinos são dividos em períodos. Esses períodos são definidos com base em objetivos. Meus objetivos coincidem com as competições que participo.

Tenho que chegar na minha melhor forma no fim de Agosto para o Ironman 70.3 em Penha - SC.

Para isso tenho feito alguns treinos de ciclismo na estrada dos Romeiros entre a Castelo Branco e Itú - SP para aumentar minha força no pedal.

Esse fim de semana tive a companhia do Marcos Pereira, que já é figura marcada nesses treinos e do Daniel Blois, novo parceiro de treinos da MPR e que vai começar a aparecer com mais frequência por aqui. Explico: assim como eu,ele vai encarar o desafio do Ironman Brasil 2011 pela primeira vez. teremos oportunidade então de nos encontrar bastante.

Romeiros é um treino sensacional. Um dos que me dá maior prazer. É difícil, desafiador e bonito. É uma oportunidade de testar sua força de vontade. As subidas intermináveis, trechos que parecem planos na ida e na volta se mostram como subidas bem leves (o suficiente para reduzir absurdamente a média de velocidade) e ultimamente o vento contra na volta.

O único ponto que dá tristesa é ver o Rio Tietê tão detonado em uma paisagem deslumbrante. Em qualquer lugar essa estrada seria um ponto turístico importante. Por aqui, com excessão das Romarias - que para nós é um inferno - a estrada é frequentada por ciclistas e motociclistas.

É um local que vale a pena conhecer, principalmente o trecho entre a Castelo Branco,saindo do km 48 e Pirapora do Bom Jesus. Outro trecho interessante é entre Cabreúva e Itu chamado de Estrada Parque.

Nos vemos por lá.

Na foto tirada pelo Daniel encaro uma das subidas

Fui... pedalando

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Atletas tem que ser exemplo de conduta para crianças?


Vou tentar responder, não é fácil. Você acha que um atleta tem obrigação de ser um exemplo de conduta para crianças? A minha resposta imediata é não. O exemplo de conduta primordial para uma criança são os pais e depois a escola. Os atletas não tem nenhuma obrigação de dar bom exemplo as crianças, não é função deles. Certo? 

Pois vamos ver... atletas hoje tomaram uma condição de pessoas públicas. Aparecem na mídia permanentemente, capitalizam com essa exposição e acabam tornando-se marcas comerciais. Como toda marca, essa deverá ser cuidada para que a percepção do público com relação a ela seja a mais próxima possível da imagem idealizada pelo anunciante. 

Gosto muito do profissionalismo de alguns atletas. Ao mesmo tempo que fazem aquilo que sabem fazer, são atenciosos com seus fãs, educados, sabem se expressar e tratam seus companheiros com educação e respeito. Não é possível vencer todos os dias, portanto é necessário saber perder e respeitar o perdedor.

Sempre me impressiona aqueles exemplos que tem maior contraste. Um exemplo, Bob Burnquist. O skate é para adolescentes, tem um ar rebelde, as vezes até de contravenção. Bob é um dos maiores expoentes desse esporte. Alguém já viu alguma entrevista dele? É um cara bacana, calmo, ama o que faz, diverte-se, ao mesmo tempo é muito articulado e educado. Por trás daquela imagem de skatista rebelde temos um atleta profissional que não só é admirado por seus fãs como por seus colegas de competição. 

Outros exemplos de bons garotos? Rogério Ceni, Cafu, Kaká...

Semana de contrastes: todos viram o que ocorreu com o Contador e o Schleck no Tour de France essa semana. Pra quem não viu vou tentar resumir. No ciclismo há uma regra não escrita que se você está em pelotão, pedalando juntos e um dos atletas tem um problema bobo, tal como uma corrente escapar ou um tombo sem consequencia, os outros ciclistas esperam por ele. Isso mesmo em competição. É uma daquelas coisas de fair play que também acontecem no ciclismo. Pois bem, o Contador não respeitou isso e atacou uma montanha quando o Schleck deixou sua corrente escapar, passando assim para primeiro lugar no tour.

Não tenho condições de julgar o que ele fez, me falta conhecimento sobre provas de ciclismo para tal. O que consegui enxergar foi que tanto o público quanto os outros atletas não gostaram dessa atitude. Contador foi vaiado ao subir ao pódio para receber a camisa amarela, e ficou com um sorriso amarelo (desculpa o trocadilho mas não aguentei). Não há um juiz no tour para dar uma penalização de tempo para esse caso, mas todas as câmeras de televisão mostraram para o mundo inteiro o que aconteceu e para piorar a situação, Contador deu uma desculpa mentirosa, dizendo que não viu o problema do outro ciclista, mas as imagens mostram que ele, além de tudo é mentiroso para se defender. Qual será o prejuízo para sua imagem? Só o tempo dirá. Na imprensa especializada e na comunidade de atletas a reação inicial não foi boa. 

Finalizando o texto mas não encerrando o assunto, acredito que todas as figuras públicas devem ter um comportamento adequado. A partir do momento que você decide se expor, seja pela natureza de seu trabalho ou esporte, ou qualquer motivação, deverá ser coerente com a imagem que quer passar e o público que irá atingir. Infelizmente hoje vemos inúmeros casos de comportamentos baixos de atletas. Desde a falta de espírito esportivo, comportamentos inadequados em público, crimes e até morte. No Brasil a coisa é ruim. Poucos atletas tem preparo para entender sua responsabilidade e quando temos o maior líder do país defendendo a mentira e desrespeito as leis repetidamente a coisa fica complicada. 

Mas vamos lá, podemos fazer alguma diferença no nosso meio não podemos? É isso que tento por aqui.

Na foto Andy Schleck.

Fui... pensando