quinta-feira, 12 de abril de 2012

Primeira Etapa TPUC 2012 - Maratona de Boston

Chegou a hora, primeira etapa desse ano do TPUC.

Pra quem não lembra, funciona assim:
Faço uma doação em reais para a ABRALE, equivalente ao número de quilômetros que irei percorrer na prova proposta. Nesse caso, a Maratona de Boston na segunda feira, dia 16/04/2012.

Quem quiser ajudar, sugiro doar o mesmo valor, mas pode ser qualquer quantia em cartão de crédito ou boleto. Para doar é fácil, basta acessar esse link da Abrale e fazer a doação diretamente para a entidade.

Não recebo informações de quem doou ou os valores, mas se alguém quiser me comunicar posteriormente para fazermos a medição do resultado agradeço.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Treinando em Boston

Mari e eu correndo em Boston no inverno (dez11)
Já que as reuniões de Nova York foram desmarcadas em cima da hora, quando estava embarcando para Boston, acabei ficando preso por aqui essa semana, trabalhando de home office e aproveitando dez dias com a Mari. A idéia era pegar o primeiro trem na segunda-feira e ficar por lá até quinta a noite, mas por um problema de desorganização da agenda planejada fiquei com reuniões marcadas para segunda e quinta. Preferi cancelar e refazer essa viagem em abril.

É lógico que a Mari adorou, e depois de esquiar dois dias de camiseta, vendo uns malucos de bermuda, aqui estou trabalhando no verão fora de hora. Janela aberta, jeans e camisa, nada de casacos ou cachecol. Tudo bem que quando fui pedalar ontem estava 8 graus, mas deve ter checado a uns 18 durante o dia e quase morri de calor após 5 horas de treino.

Correr por aqui é um assunto a parte. Você acha que corre forte? Vem correr em Boston. Nunca vi tanta gente correndo forte o tempo todo como aqui. A cidade respira corrida por todos os lados. Saindo do apartamento (a Mari gosta que eu diga nosso apartamento apesar de só ela morar nele) e andando meia quadra chego a linha de chegada da Maratona de Boston, que esse ano irá completar 116 anos. Em frente a linha tem uma loja de tênis que em qualquer hora do dia é possível ver pessoas testando produtos na calçada com os vendedores analisando passada, tipo de corrida etc. Na vitrine, um relógio com contagem regressiva para a largada da Maratona, quer mais?

A volta de 14km é a mais bacana. Saio em direção ao Charles River, atravesso uma ponte sobre a avenida e logo estou na ciclovia e pista de corrida de Back Bay. Indo em direção ao centro, de um lado o rio acompanha e do outro a Storrow Dr, o que faz um pouco de barulho, Não é uma corrida silenciosa como as imagens sugerem. Logo você chega ao museu de ciências e atravessando já está em Cambrigde, menos de 3km do ponto de partida.

Esse é o trecho mais interessante. A esquerda o rio e algumas marinas e principalmente as sedes das equipes de remo e vela das universidades. Olhando a direita o MIT - Massachusetts Institute of Technology, e seu clube de vela e de remo em frente. Mais a frente Harvard e Harvard Square e seus clubes em frente. A qualquer hora do dia consigo avistar um oito com, ou um double skiff. Mais a frente dois barcos treinando largada de match race, um com velas com detalhes amarelos e outro vermelhos. Quando retorno eles estão treinando jibes com o barco do técnico entre eles. Atravessando o rio novamente estou de volta a Boston e passo pela BU - Boston University.
O Charles River não é exatamente o melhor lugar pra velejar. Pequeno, estreito, só dá pra montar raia em uma direção, mas poder treinar todos os dias só atravessando a rua entre uma aula e outra acaba por transformar esses caras em bons velejadores, sem contar que foi meu sonho por anos. quero ver se encontro alguém um dia montando barcos e vejo se consigo entrar numa regata, quem sabe me emprestam um barco e posso ver se eles são bons mesmos. rsrsrsr
Post rápido, preciso aproveitar para colocar em dia meus emails e planejamentos pois quando voltar para São Paulo terei algumas semanas extremamente corridas.
Próxima chamada do TPUC será para a Maratona de Boston, dia 16 de abril, logo aviso como ajudar nas doações diretamente no site da Abrale.


Fui... trabalhando e treinando


segunda-feira, 12 de março de 2012

Treinar em Curitiba

Que cidade linda!

Não tenho como começar de outra maneira. Adoro minha cidade e quanto mais tempo passo longe dela melhor fica a minha visão de suas qualidades - talvez não veja os defeitos mais como qualquer um que não experimenta o cotidiano.

Vou falar de uma Curitiba de domingo de sol, que começou as 8:00 da manhã para um treino longo de corrida - 23km pelas ruas da cidade. Objetivo de fazer um treino apenas girado, confortável para fazer quilometragem. As vezes precisa. Não há necessidade de fazer força e depois dos 150km de bike do sábado na ciclovia da marginal Pinheiros com 6km progressivos de corrida, bem que eu estava precisando de um treininho leve.

Na noite anterior, conversando com meu irmão Marcelo, triatleta da época das sungas e bikes de aro 26, ele me deu uma dica de um percurso de 20km saindo da casa dele. Adoro sair treinando da porta de casa, é mais fácil e economiza tempo. Único problema logístico seria a hidratação e como não gosto de correr com garrafas na mão nem de cinto de hidratação levei dinheiro para comprar água em algum lugar.

Dica: sempre que for sair para treinar sozinho nas ruas tenha sua CNH, cartão do seguro saúde e pelo menos R$ 50,00 para uma eventual emergência. Na melhor das hipóteses de uma emergência você pode torcer o pé e precisar pegar um taxi.

Iphone ligado, fones na orelha, Chickenfoot tocando, lá vou eu.

Começo pelo Jardim Social, bairro onde morei dos 5 aos 17 anos e que meu irmão mora agora. A cada esquina uma lembrança de infância, amigos, fatos, episódios que nunca mais tinha lembrado e vinham voltando a minha mente. Não olhei pro GPS no primeiro km e me surpreendi com o ritmo tranquilo que estava fazendo. Saindo do bairro pela Av.Nossa Sra da Luz vejo uma multidão correndo. Opa, tem uma corrida de rua, é aqui mesmo que vou entrar, assim tenho companhia e quem sabe ainda consigo minha hidratação. Estranho, só tem mulher correndo, pergunto e me informam que é uma corrida de 6km da prefeitura em comemoração ao dia das mulheres. Não vai adiantar, a distância é curta e achei a corrida no seu final. Acompanho pela Itupava e começo a ouvir alguém me chamando. Alguns namorados de corredoras vestiram-se de mulher para incentivar, de perucas, bermudas justas e maquiagem. Me senti numa versão atlética de Priscila.

Segura o bofe!!! Ele corre muito rápido!! Gatoooo!!!! Gargalhadas de todos os lados, parei e tirei fotos com as mulheres e as nem tão mulheres. Com isso dois quilômetros voaram.

Entro a direita na ciclovia e acompanho o trilho de trem. Mais adiante passo ao lado do Graciosa e lembro de nossas partidas de golfe. Passo ao lado do green do 5, green do 1 e finalmente driving rage e a casa do meu rmão Alcy, triatleta de primeira, treinando para seu primeiro iron, infelizmente não vamos correr juntos nesse dia, mas estarei em floripa para acompanhá-lo na linha de chegada,

Continuo pela ciclovia e as coisas começam a ficar estranhas. De uma hora pra outra não sei onde estou, nunca andei por alí. O Marcelo disse para seguir até uma descida forte que levaria ao parque São Lourenço. Bela descrição, mas vamos lá. Quando já estou muito além da distância que achava ser razoável para achar a tal descida vejo uma placa orientando para Almirante Tamandaré (isso é outra cidade para quem não é de Curitiba) e Barreirinha. Que faço agora? Estou com quase 9km e devo tomar uma decisão: ou vou mais 2,5km e volto pelo mesmo caminho ou acho o caminho certo. Resolvo sair da ciclovia numa placa que dizia Ópera de Arame. O teatro Ópera de Arame é próximo ao São Lourenço, com sorte chego lá, e se não chegar aproveito para visitar o local da minha formatura da faculdade.

De repente a rua começa a descer forte! acertei sem querer e chego no parque. Então vamos lá. Parque cheio, muita gente correndo, bicicletas e um clima de verão muito agradável. Ninguém atropela ninguém. As bicicletas na faixa delas e os corredores e caminhantes na sua. O gente civilizada, como é bom estar aqui. Saio do parque com quase 11km e está na hora de pensar na água e tomar um gel.

Na Mateus Leme, ainda na ciclovia, em direção ao Bosque do Papa. Curitiba recebeu uma grande quantidade de Poloneses e Ucranianos. Por conta disso e em homenagem a visita do Papa João Paulo II em 1980, foi feito um parque que tem algumas casas típicas em troncos dessas colônia de poloneses da região metropolitana de cidade. O paisagismo foi idealizado por Burle Marx. Em uma dessas casas, que formam um memorial da cultura polonesa, foi rezada uma missa pelo Papa. 

Passando pelo centro cívico, começo a procurar algum lugar para beber uma água e nada. Os quilômetros começam a passar e a paisagem também. Passeio Público, Rua Mariano Torres, e nada de água, tudo fechado. Quase na rodoferroviária encontro um pequeno bar e com 15km de corrida tomo uma garrafa d'água e um GU.

Continuo, passo em frente a rodoferroviária em direção ao Jardim Botânico. Uma volta por lá e volto para a Av.Nossa Senhora da Luz. Passo pela caixa d'água e do outro lado da rua o hospital das Nações. Acho que é esse o nome. Local onde um amigo, o Patrick faleceu após lutar contra um tumor no cérebro, que ele e o pai diziam que tinha o tamanho de uma laranja. Numa das últimas visitas que fiz, uma das cirúrgias acabou por retirar a memória curta dele, um fato triste, pois em uma visita ele me agradeceu e deu oi uma dez vezes, pois não registrava mais nada na memória. Lembrava de mim, mas não que tinha me visto a dois minutos, triste.

Após isso entro novamente no Jardim Social, pelo Pão de açúcar. Essa entrada do bairro sempre foi importante pra mim. Tenho três irmão mais velhos, entre cinco e nove anos de diferença. Uma das coisas que mais sonhava na minha infância seria o dia que entraria no bairro dirigindo meu próprio carro e fazer como eles faziam. Por algum motivo eles pegavam a descida e colocavam o carro em ponto morto e iam até em casa dessa maneira. Não sei bem se era pra economizar combustível ou uma grande piada, mas eu não via a hora de fazer isso também. Nunca consegui, pois acabamos nos mudando quando tinha 17 anos. Quando você tem dez anos de idade, tudo que seus irmão de 19 e 18 fazem é o máximo, ficou uma frustração. Mas calma, nada que vá me causar sequelas graves na vida.

Nesse momento estou chegando e a maior lembrança era das corridas com o Marcelo. Eu tenho a impressão que ele me usava para impressionar as meninas, mas quem vai saber. Levar o irmãozinho pra treinar é uma forma bem esperta de mostrar que é um cara legal. E ele é mesmo. O fato é que com uns onze ou doze anos começamos a fazer corridas pelo bairro e eu acompanhava sempre o ritmo dele, isso me criou uma base muito forte de treino e a partir daí a corrida em maior ou menor intensidade sempre esteve comigo.

Como é bom treinar em casa, agora estou no aeroporto voltando para São Paulo, com saudades e feliz pelo fim de semana. Mas que ninguém fique chateado comigo, adoro São Paulo também, é a cidade que me recebeu e continua me recebendo bem.

Foram 23,4 km, 23 deles em ciclovias, sem passar pelo mesmo ligar duas vezes. ritmo de 5:03 min/km e tempo total de 1:58horas de treino. Gostei, o batimento médio não passou de 155, objetivo alcançado.

Fui... com memórias e mais memórias

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Comitê de auto censura.

As coisas são interessantes, os ciclos de treinos, trabalho, amigos, família tudo corre em uma normalidade e com boa previsibilidade. Uma coisa que não muda nunca, apenas consigo conviver melhor ou pior é meu comitê de censura.

Para o leitor tentar entender como funciona uma cabeça com muita censura, a coisa é assim:

Quando comecei o projeto do TPUC, tinha e ainda tenho um objetivo muito claro - apoiar a luta contra o câncer, especialmente a Leucemia e ajudar a divulgar as ações e arrecadar doações para a Abrale. Até aí tudo bem, o modelo todos já conhecem, eu faço uma doação em reais equivalente aos quilômetros que irei percorrer em uma prova e incentivo meus amigos - atletas ou não - a fazer o mesmo.

Tivemos ótimos resultados desde 2009 e este Blog ajuda a divulgar essas ações. Divido meus treinos, angústias com relação acidentes, lesões ou mesmo períodos de treinos mais fortes, relato algumas provas e sempre que possível tento conectar esses assuntos com a luta contra o câncer.

A partir de um certo momento o comitê começou a atuar. Comecei a ter receio das pessoas pensarem que este Blog estava sendo feito para me promover e tirar algum proveito pessoal da coisa - o que não pode estar mais longe da verdade.

Parei. Criei um novo Blog e nele comecei a falar só de treinos e aí aconteceu o esperado, minha motivação caiu a zero. O real motivo de escrever aqui é esse mesmo, é a causa que abracei. Quando minha censura mandou mudar de rumo, errei. Aceitei como verdade o que não era e percebi, após um ano, que abandonei o sentido principal da coisa e apenas perdi tempo.

Ontem tive uma reunião ótima na Abrale. Como já disse antes, gosto muito de ir lá. Deve haver algo que transforma as pessoas quando elas trabalham ajudando outros, é uma clareza e tranquilidade que contrastam com qualquer imagem de terror que se possa fazer de alguém que recebe, ou recebeu o que até pouco tempo atrás seria uma sentença de morte. E que hoje, graças ao trabalho da Abrale e tantas outras entidades e profissionais da saúde não é mais assim para muitos casos.

Eles me incentivaram a voltar a escrever e aumentar a divulgação do projeto. Então vamos lá. Chega de auto censura, vamos atuar em algo realmente nobre e ampliar o projeto. Conto com a participação daqueles que já me conhecem e peço que divulguem e sigam a página do TPUC no facebook também.

A agenda de provas é intensa esse ano e os objetivos também.

Fui... treinando

terça-feira, 17 de agosto de 2010

TPUC 2010 - 4 etapa - Troféu Brasil de Triatlon e Ironman 70.3 Brasil

Olá a todos,

O calendário desse ano que parecia que iria ser super corrido está sendo calmo até agora. Até agora, pois o segundo semestre promete. Teremos esse fim de semana aqui em São Paulo a terceira etapa do Troféu Brasil de Triathlon.

Muitos podem ter esquecido do projeto ou outros nem conhecem. Vou explicar então rapidamente. Em todas as competições que participo, colaboro com uma doação financeira para uma entidade de combate a Leucemia e linfoma chamada Abrale - Associação brasileira de leucemia e linfoma. O valor da doação é correspondente a distância em quilômetros que irei percorrer. Então de acordo com a prova que estou participando o valor é maior ou menor.

Incentivo meus amigos, parceiros de treinos e seguidores do Blog a tentar participar junto comigo nessa jornada. Como? É fácil. É só entrar no site da Abrale e fazer a doação diretamente para eles. Nada passa por minhas mãos e se houver necessidade, fiquem a vontade para entrar em contato direto com a instituição, é um local muito bacana, como tive oportunidade de descrever em um post anterior onde conto o porque deste projeto, é só clicar aqui .

Na próxima semana, dia 28 e agosto irei participar do  Ironman Brasil 70.3 em Penha - SC . Então estou juntando duas etapas em uma só e pedindo a participação especial de todos.

Hoje uma amiga me perguntou se eu acredito em enviar energia para as pessoas. Claro que sim. Que tal esse post sobre a energia que vai e volta? Sugiro enviarmos uma grande vibração para todos que estão sendo afetados por essa doença nesse momento, com nossos pensamentos, esforços e toda a energia que dispomos .

Os valores que irei doar são :
Troféu Brasil - distância Olímpica - 1,5 natação; 40km bike; 10km corrida,  R$ 51,50
Ironman 70.3 - 1,9 natação; 90km bike; 21km corrida, R$ 112,90

Lembro que cada um pode doar o valor que quiser, podendo ser superior ou inferior, fica a critério pessoal. Importante é doar e não esquecer de colocar no CAMPO EMPRESA O TEXTO : TRATHLON POR UMA CAUSA.

Boa semana a todos

Fui... começando a reduzir o ritmo para chegar bem em Penha


sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Longo Inverno


Olá, estou de volta. Depois de um longo inverno em Curitiba (4 dias) consegui colocar a casa e treinos em ordem.

Treinar no frio requer alguma disposição e roupas adequadas. Vou usar aqui a frase que todos nós ouvimos sempre nos treinos da madrugada na USP: não existe ciclista com frio, existe ciclista mau vestido. E não estou falando de ciclistas que não seguem a moda, pois todo ciclista faz questão de colocar todas as cores disponíveis do seu guarda roupa ao mesmo tempo. Não sei se isso acontece porque ainda estamos dormindo quando nos vestindo, e o tico e teco ainda não conseguiram pegar no tranco. Ou se não damos bola pra isso mesmo. Como sempre tento facilitar minha vida, reduzo minhas cores para: preto, branco, vermelho e amarelo. Então vou de monocromático a espanhol passando por rubro negro, mas nada mais que isso, é uma solução.

Mas o que quero falar mesmo é sobre como vestir-se pra não passar frio - e calor - no dia frio.

Ciclismo: camadas, não tem solução. Eu gosto de colocar uma camiseta de manga curta e duas camadas de corta vento, um mais grosso e outro mais leve. Se acho que não vai fazer tanto frio assim e talvez esquentar durante o treino, prefiro colocar só um corta vento e manguitos junto com a camiseta. Em qualquer caso uma boa calça é necessária. Prefiro as de corrida, de preferência com compressão. Coloco uma bermuda de ciclismo por baixo para evitar que as costuras machuquem e estou pronto para 100km em qualquer lugar. Uma coisa boa das roupas de ciclismo em camadas é que você pode ir tirando durante o treino e guardar nos bolsos da camada de baixo. Até a calça, já que você está com a bermuda por baixo. Um gorro na cabeça para aqueles que não tem mais cabelos, ou somente uma faixa para os que ainda tem vai muito bem. Proteger as orelhas é básico. Alguns usam lenços. Tudo bem, mas mantenha a regra de poucas cores por favor. Em cima da sapatilha pode ser usado uma bota que protege do frio. É um dos ítens mais úteis e baratos. A diferença de correr depois de pedalar sem usar a proteção da sapatilha é brutal. Você leva alguns km para sentir novamente os dedos se não usar. Mais importante de tudo no ciclismo, toda roupa tem que ser justa. Por favor, não vai pedalar com aquelas jaquetas de passear em shopping center que viram um paraquedas e tem gorrinho, tenha dó.

Corrida: aqui a coisa é mais delicada, mas também mais simples. Ao contrário do ciclismo, na corrida você vai passar calor. Se estiver muito frio (por volta de 6 graus como treinei em Curitiba semana passada) use uma calça, a mesma que usou pra pedalar, afinal ela é feita pra corrida. Em cima uma camiseta de manga longa de corrida e talvez uma jaqueta ou blusa de corrida. Acontece que você vai esquentar e provavelmente vai precisar tirar alguma coisa. Uma opção é fazer o aquecimento (correr uns 15 a 20 min leve) perto do carro e depois sair pra correr. Gorro ou boné (prefiro o boné) e um par de luvas de corrida funcionam muito bem. É incrível, você pode até se sentir meio ridículo, mas para a corrida no frio as luvas são ótimas, assim como algo para cobrir as orelhas.

Em qualquer dos casos você vai sentir um pouco de frio no começo, é normal, assim saberá que não irá passar calor depois.

Bons treinos

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Badwater 2010 - parte 2

Segunda parte do relato da Maria Ritah sobre a Badwater Marathon.

"Em Las Vegas, o calor sufocante começou a me dar medo. Dois dias depois fomos para o deserto local da prova. No caminho comecei a vislumbrar o que poderia ser minha aventura naquele deserto, comecei a me questionar.  – Será que quero mesmo passar por isto? Tanta prova linda, boa e mais barata pra eu fazer.

No dia do Congresso Técnico meu questionamento aumentou.  Observava atentamente os ultramaratonistas como se eu estivesse num experimento científico. Em Funece Crew, o calor aumentava, o vento quente ardia meus olhos garganta e feria meu nariz. Até pra respirar era complicado numa temperatura de 55 graus. Nem a noite aliviava a sensação de falta de ar.

A caminho do local da largada. A paisagem  do lugar era meio sinistra de tão cinza, sem cor, mas nem por isso encantadora. Estávamos abaixo do nível do mar. Ouvi um colega dizer que aquilo tudo era o mar que secou, na área batida e misturada com sal víamos a sequidão do lugar.

Depois de fotos e registros, a emoção da corrida começou. Nos primeiros 30km  o atleta obrigatoriamente deve correr sozinho e sua equipe dar assistência em banho e água, sob pena de punição caso seja pego correndo com o atleta.

Este começo foi um dos momentos mais emocionantes, porque pude assistir de camarote a correria, a paisagem, a corrida sob forte condição climática. Estes quilômetros parecem que não acabam nunca e nesta parte da corrida começo a digerir o que seja Badwater.

Monica corria bem a despeito de ser uma ultramaratonista com histórico de câncer e diabete. Minha preocupação era com sua hidratação e controle da glicemia que estava a cargo de um outro integrante da equipe. A noite, o cansaço e o sono eram uma luta constante. Mesmo eu que era pacer, sempre me beliscava para não apagar enquanto estava na direção do carro. Correr e andar por 55hs seguidas não era tão fácil quanto parecia. Além da dor muscular devido as subidas que não eram íngremes, mas que eram muito longas. 
Por volta do meio dia, sob sol forte, chegamos num lugarejo para abastecer o carro de gelo e água. Qualquer lugar do deserto que tenha um ponto de conveniência é importante. Era necessário abastecer com água e gelo nos poucos  pontos de abastecimento no deserto, por esta razão o carro estava cheio de cooler e alimento.

Na corrida, ora  eu estava a dirigir o carro de apoio, ora estava correndo observando a paisagem que em nada mudava da sua cor cinza, mas quando eu via o rosto dos atletas correndo, a dor e o sufoco para suportar o calor, mais e mais admirava aquela raça de atletas da qual eu queria fazer parte.

Minha experiência na Badwater me diz que devo treinar mais e mais forte. Que devo ter dinheiro suficiente pra fazer esta prova e pra isso terei que trabalhar dobrado, vender tudo que puder de imóveis e fzer uma reserva antecipada,  um plano logístico perfeito para me atrever a fazer Badwater.

A experiência valeu. Ao ver Mônica chegar aos 55hs no MT. Whitney, chorei de alegria. Literalmente saímos do inferno e entramos no paraíso em volta de montanhas cujos picos são brancos como a neve. É um contraste que só podemos dizer que ali um arquiteto muito habilidoso desenhou a estrada do deserto e seu local de chegada que , para quem correu tudo isto, é um verdadeiro paraíso.

Ou seja, saí do deserto, mais motivada do entrei. Em 2011, com a benção de Deus, estarei lá para correr Badwater Ultramarathon. Quanto tempo? Pra mim é o que menos importa, quero mesmo completar o percurso, vencer a distância e contar mais uma história de corrida.  "